Depois da intensidade do primeiro dia, a alvorada aconteceu apenas às nove da manhã. O descanso era merecido. Dois jogos, a cerimónia de abertura e a emoção da estreia internacional tinham deixado marcas nas pernas, mas também muitas memórias.

O plano para a manhã parecia perfeito. Antes do jogo da tarde frente ao Ançã, líder do Grupo E, a equipa iria aproveitar algumas horas na piscina para recuperar energias e fortalecer ainda mais o espírito de grupo.
A caminhada começou descontraída, entre conversas e boa disposição. No entanto, à chegada surgiu a primeira surpresa do dia: a piscina só abriria às 14 horas. Àquela hora, o Lavrense já teria de estar a almoçar para preparar o encontro marcado para as 15h30.

O plano mudava, mas a boa disposição mantinha-se.
Sem perder tempo, atletas e treinadores encontraram uma alternativa improvisada num parque infantil próximo. Durante alguns minutos, os baloiços, as gargalhadas e as brincadeiras substituíram os mergulhos que teriam de ficar para mais tarde. Afinal, uma equipa também se constrói nestes pequenos momentos.

Depois do almoço, a concentração mudou naturalmente para o futebol.
À chegada ao Campo do Areal, surgiram novos contratempos. Rodrigo apercebeu-se de que tinha deixado as lentes de contacto no alojamento. Pouco depois, foi Lisandro quem descobriu que lhe faltava… uma caneleira.
A resposta da equipa técnica foi imediata. A mulher do treinador deslocou-se rapidamente para levar Rodrigo de volta à escola, enquanto também a situação da caneleira foi prontamente resolvida. Rodrigo regressou ao campo poucos minutos depois do início do encontro, entrando em jogo logo de seguida.

Como se não bastasse, surgiu ainda mais uma alteração inesperada. Perante a coincidência das cores dos equipamentos, o Lavrense entrou em campo com as camisolas laranja do equipamento de aquecimento, oferecendo uma imagem pouco habitual da equipa.
Frente ao líder do grupo, os jovens lavrenses voltaram a mostrar personalidade. O Ançã acabaria por vencer por 1-0, mas o resultado esteve longe de contar toda a história. O Lavrense conseguiu mesmo introduzir a bola na baliza adversária, num lance posteriormente invalidado por fora de jogo, e discutiu o resultado até ao apito final.
Terminada a partida, chegou finalmente o momento que tinha ficado adiado durante toda a manhã.
A piscina abriu as portas e, desta vez, não houve horários nem imprevistos que impedissem os mergulhos. Entre risos, jogos dentro de água e muita descontração, os atletas recuperaram energias depois de mais uma jornada exigente.
O dia terminaria à mesa, com uma simples sandes de panado partilhada entre companheiros. Um jantar sem grandes cerimónias, mas perfeito para fechar mais um capítulo desta aventura.

Com a fase de grupos concluída, o Lavrense prepara agora um reencontro bem conhecido. Amanhã, na Conference Cup, o adversário será o Cruz, equipa que os jovens lavrenses conhecem bem do campeonato. Um novo desafio, diferente dos anteriores, mas com a mesma vontade de competir, aprender e continuar a construir memórias.
Porque, em Monção, cada dia tem mostrado que há muito mais para contar do que apenas os resultados. Há viagens, imprevistos, amizades, entreajuda e momentos que dificilmente aparecerão nas classificações, mas que ficarão para sempre na memória de quem os viveu.


