Toda a viagem tem um último capítulo.
Em Monção, esse capítulo começou cedo. Às 7h30, os atletas reuniram-se para o pequeno-almoço, preparando-se para o derradeiro desafio da UnderCup. Depois de quatro dias intensos, chegava finalmente o momento pelo qual tanto tinham trabalhado: disputar a final da Conference League.
O adversário era o Arcozelo.
A motivação era enorme. A vontade de terminar a aventura com um troféu também.
Dentro das quatro linhas, porém, o adversário revelou-se mais forte. Apesar da entrega, da atitude e da vontade de lutar até ao último minuto, o Lavrense acabou derrotado por 3-0.
O apito final trouxe um silêncio pouco habitual.
Houve lágrimas.
Houve abraços.
Houve rostos onde a desilusão era impossível de esconder.
Porque quem sonha chegar à final também sonha vencê-la.

Mas foi precisamente nesse momento que se percebeu aquilo que este grupo verdadeiramente construiu ao longo destes dias.
Ninguém ficou sozinho.
Os colegas apoiaram-se mutuamente, os treinadores procuraram levantar a cabeça dos atletas e as famílias fizeram aquilo que sempre fizeram durante toda a época: estiveram presentes.
Antes mesmo da cerimónia de encerramento viveu-se um dos momentos mais bonitos de toda a participação do Lavrense na UnderCup.
Os jogadores surpreenderam a mulher do mister Carlos com um ramo de flores, numa homenagem simples, mas profundamente sentida.
Durante todo o torneio foi ela quem, longe dos holofotes, ajudou a cuidar da equipa, tratou dos equipamentos, resolveu pequenos problemas e garantiu que nada faltasse aos nossos atletas.
Há pessoas que nunca entram em campo.
Mas sem elas nenhuma equipa chega tão longe.

Enquanto decorriam as grandes finais da UnderCup, chegou o momento de esperar pela cerimónia de encerramento.
Nas bancadas, os pais aguardavam com o mesmo orgulho com que acompanharam cada jogo. Foram eles que percorreram centenas de quilómetros para estar presentes, apoiando os filhos em cada desafio, em cada vitória e também nos momentos mais difíceis.

Pouco depois, chegou a hora de subir ao palco.
Os atletas aguardaram calmamente pela chamada da equipa, conscientes de que, apesar da derrota na final, tinham conquistado algo muito importante: um lugar entre os finalistas da Conference Cup.

Um a um, receberam as medalhas.
Depois chegou a taça de finalista.
Talvez não fosse o troféu que sonhavam levantar naquela manhã, mas representava uma caminhada que merece ser recordada com orgulho.
Porque ninguém chega a uma final por acaso.


Quando partiram para Monção levavam mochilas, chuteiras e um sonho.
Regressam agora com medalhas ao peito, centenas de fotografias e histórias que irão contar durante muitos anos.
Houve vitórias.
Houve derrotas.
Houve gargalhadas na piscina.
Houve jogos decididos nos penáltis.
Houve um guarda-redes transformado em herói.
Houve pais que nunca deixaram de acreditar.
Houve treinadores que viveram cada momento com intensidade.
Houve quem trabalhasse silenciosamente nos bastidores para que nunca faltasse nada à equipa.
E houve um grupo de jovens que descobriu que o futebol é muito mais do que ganhar ou perder.
A UnderCup termina hoje.
As memórias desta aventura, essas, acompanharão estes campeões para o resto da vida.


