Não trouxemos a taça de vencedor.
Trouxemos muito mais do que isso.
Quando, há vários meses, nasceu a ideia de participar na UnderCup, tudo parecia um sonho distante. Era preciso angariar fundos, mobilizar famílias, organizar iniciativas, vender rifas, preparar a feirinha solidária e acreditar que, passo a passo, seria possível levar este grupo de jovens até Monção.
E foi.
Não foi apenas o esforço dos jogadores.
Foi o esforço de pais, familiares, amigos, treinadores, patrocinadores e de todos aqueles que acreditaram neste projeto desde o primeiro dia.
Foi aí que esta viagem realmente começou.
Quando finalmente chegou o dia da partida, levávamos mochilas, chuteiras e alguma ansiedade.
Ninguém imaginava tudo aquilo que estava prestes a acontecer.
Durante quatro dias houve futebol.
Muito futebol.
Houve estreias internacionais.
Houve jogos em Espanha.
Houve vitórias que fizeram sorrir.
Houve derrotas que ensinaram.
Houve um empate que manteve tudo em aberto.
Houve uma final conquistada nas grandes penalidades.
E houve um guarda-redes chamado Rodrigo que, durante alguns segundos, se transformou no herói de toda uma equipa.
Mas a verdade é que, olhando para trás, percebemos que as melhores recordações nem sempre aconteceram dentro das quatro linhas.
Houve uma piscina que estava fechada.
Houve um parque infantil que acabou por substituir os mergulhos.
Houve gargalhadas que surgiram quando ninguém estava à espera.
Houve amizades que cresceram sem que ninguém desse por isso.

Depois veio a piscina.
E, finalmente, os mergulhos tão esperados.
Porque também é nestes momentos de descontração que se constrói uma equipa.
Houve pequenos-almoços apressados.
Croissants depois das vitórias.
Sandes de panado.
Hambúrgueres partilhados ao final de um dia inesquecível.
Conversas que provavelmente nunca mais serão repetidas da mesma maneira.

Mas houve também pessoas que nunca apareceram nas fichas de jogo.
Pais que percorreram centenas de quilómetros para apoiar os filhos.
Mães que registaram momentos únicos com os seus telemóveis.
Treinadores que viveram cada jogo como se fosse o último.
E uma mulher que, silenciosamente, tratou dos equipamentos, resolveu problemas, ajudou sempre que foi preciso e fez parte desta equipa sem nunca entrar em campo.
A homenagem que recebeu no último dia foi muito mais do que um ramo de flores.
Foi um obrigado.
Daqueles que ficam para sempre.

No último dia houve lágrimas.
Perder uma final custa.
E deve custar.
Porque só sofre quem sonhou verdadeiramente conquistá-la.
Mas bastou olhar à volta para perceber que ninguém regressava derrotado.
As medalhas ao peito eram apenas um símbolo.
A verdadeira conquista estava estampada no sorriso de quem viveu esta aventura.

Hoje, olhando para todas estas fotografias, percebemos que elas contam uma história muito maior do que qualquer resultado.
Contam a história de um grupo de rapazes que cresceu.
De famílias que caminharam lado a lado.
De treinadores que nunca deixaram de acreditar.
De amigos que se tornaram ainda mais amigos.
E de uma comunidade inteira que ajudou a transformar um sonho numa realidade.
Talvez daqui a dez anos já ninguém se lembre do resultado da final.
Talvez poucos consigam dizer quem marcou os golos ou quantos pontos teve o Lavrense na fase de grupos.
Mas haverá sempre alguém que se lembrará da piscina fechada.
Do parque infantil.
Do penálti defendido.
Da viagem até Espanha.
Das noites mal dormidas.
Das gargalhadas.
Dos abraços.
E da emoção de representar o União Desportiva Lavrense num dos maiores torneios de futebol jovem do país.
Porque, no fim de tudo, foi isso que trouxemos de Monção.
Não uma taça.
Mas uma história que ficará para sempre connosco.

Obrigado.
A todos os atletas.
À equipa técnica.
Às famílias.
A todos os que compraram uma rifa, visitaram a feirinha solidária, contribuíram para esta aventura, enviaram uma mensagem de apoio ou simplesmente acreditaram que este sonho podia acontecer.
Esta viagem também é vossa.
Até à próxima.
Fim do “Road to Monção”.


